Correr, abraçar
Vontade que domina
Imperiosa vontade
que domina
Desejo, busca
Algo que chora e clama,
ascende por dentro
e atravessa como desejo
mas que se imaterializa
na eternidade do pensamento.
29/06/2007
25/06/2007
O vazio procura
Diálogos por sinais,
são indicações do tempo.
A porta entreaberta.
Passos coincidentes,
olhares sorridentes.
Impressão do corpo
Que nada dizem.
Tudo roda e dança,
Harmônica expressão.
Vida no não-lugar,
De estar e encontrar
O vazio de si mesmo
Dentro e fora
No próprio ser.
* Poesia dedicada a Ana Cláudia Botelho
são indicações do tempo.
A porta entreaberta.
Passos coincidentes,
olhares sorridentes.
Impressão do corpo
Que nada dizem.
Tudo roda e dança,
Harmônica expressão.
Vida no não-lugar,
De estar e encontrar
O vazio de si mesmo
Dentro e fora
No próprio ser.
* Poesia dedicada a Ana Cláudia Botelho
31/05/2007
SOS - Linha Verde
TRUM TRUM TRUM! (soa o alarme). Augusta abre os olhos de sobressalto. Senta na cama e olha no relógio. “Ih, pronto”, diz ela com um ar de tristeza, de quem já acordava 20 minutos atrasada. O relógio marca 05h40min. Ela levanta rápido, apressada. Pensa logo na roupa. Simplifica e veste uma calça jeans já batida e uma blusa de malha branca, já pensando na blusa de frio, um casaco bege de liquidação. Senta e calça seu sapato de couro. De pé, Augusta, checa as horas 05h50mim, na hora do café. Vai a geladeira e pega a manteiga e no armário o prato e o pão de forma. 06h10mim. Senta-se à mesa da copa. Passa a manteiga no pão e come em 10 mim. Vai ao banheiro e escova os dentes. Já separa o dinheiro do ônibus e a chave de casa. São 06h20mim e Augusta saí e tranca a porta. Ela desce a rua e leva 10 minutos para subir 3 quarteirões e chegar até o ponto de ônibus. Espera, espera. Ninguém no ponto a essa hora. Demora. 06h34mim e, enfim, o ônibus chega. Augusta trabalha das 07h às 18h em uma loja, na Rua da Bahia, no centro de Belo Horizonte. O ônibus atravessa o bairro e sai na Av. Cristiano Machado. 06h44mim. Do ônibus Augusta pode ver todos os elevados da Linha Verde. A maior parte dos ônibus passa pela pista baixa à direita do elevado, por onde só passa os veículos leves e o ônibus Conexão Aeroporto. Uma fila de ônibus se forma. Todos os ônibus seguem o mesmo trajeto pela Av. Cristiano Machado e o ônibus para em todos os pontos e já demora 25 mim na Avenida. Augusta, angustiada com a espera de todos os dias, pensa se aquela obra, a tal da Linha Verde, que tanto dizem trazer melhorias para o trânsito da cidade, vai mesmo trazer algum benefício para ela, usuária de transporte público. 10 mim depois desse pensamento lhe passar pela cabeça, o ônibus vira a esquerda e segue no bairro Floresta em rumo ao centro da cidade. Augusta chega enfim ao serviço às 07h20mim.
24/05/2007
Receita do Intercom Regional
Ingredientes:
2 colheres cheias de desorganização
1 colher de falta de assesoria
20 xícaras cheias de Paulistas
10 xícaras de Cariocas
10 xícaras de Mineiros de Juiz de Fora
1 xícara de Mineiros de Belo Horizonte
Modo de Preparo
Comece colocando a primeira colher de desorganização, o antes de tudo. Depois, selecione os melhores: paulistas, cariocas e mineiros cariocas (JF) e também alguns mineiros mesmo pra não dizer que ficaram de fora. Misture tudo e junte em Juiz de Fora. Despeje na massa mais desorganização e despeje a falta de assessoria.
Pós-preparo (Notas)
Está pronto o XII Congresso da Comunicação da Região Sudeste, que foi sediado este ano em Juiz de Fora nos dias 16, 17 e 18 de maio. No evento foram apresentados os trabalhos do Expocom Sudeste e artigos de alunos de universidades de diversos estados da região, com uma forte presença de São Paulo. A receita pode funcionar nesse mesmo nesse mixing meio pendente, pois pode tornar possíveis conexões, contatos, relações e discussões entre alunos e os trabalhos desenvolvidos em outras universidades, afinal essa receita toda não é de se jogar fora.
2 colheres cheias de desorganização
1 colher de falta de assesoria
20 xícaras cheias de Paulistas
10 xícaras de Cariocas
10 xícaras de Mineiros de Juiz de Fora
1 xícara de Mineiros de Belo Horizonte
Modo de Preparo
Comece colocando a primeira colher de desorganização, o antes de tudo. Depois, selecione os melhores: paulistas, cariocas e mineiros cariocas (JF) e também alguns mineiros mesmo pra não dizer que ficaram de fora. Misture tudo e junte em Juiz de Fora. Despeje na massa mais desorganização e despeje a falta de assessoria.
Pós-preparo (Notas)
Está pronto o XII Congresso da Comunicação da Região Sudeste, que foi sediado este ano em Juiz de Fora nos dias 16, 17 e 18 de maio. No evento foram apresentados os trabalhos do Expocom Sudeste e artigos de alunos de universidades de diversos estados da região, com uma forte presença de São Paulo. A receita pode funcionar nesse mesmo nesse mixing meio pendente, pois pode tornar possíveis conexões, contatos, relações e discussões entre alunos e os trabalhos desenvolvidos em outras universidades, afinal essa receita toda não é de se jogar fora.
14/05/2007
Olhos cegos
A dor o marca e imprime apatia ao seu olhar. Tenta passar um ar despreocupado que seus olhos desmentem. Sinto o que ele sente: seu desconforto, suas angústias, sua dor; sentimentos tão intensos que me afetam e passam a ser também meus. Sou neste momento parte de seu ser. Meu corpo passa a pedi-lo e rejeitá-lo. Quero-o perto a todo instante, e distante, no esquecimento de si mesmo. Quero-o inteiro e não o tenho.
Mas ele me olha de cima a baixo como se esperasse meu consentimento e meu olhar não consegue dizer não. Quero não querer seus afagos, seus beijos, seu olhar que me atravessa revelando e desvendando. Passar a não significar e sem o sentir perto, junto, dentro de mim. Suas caricias já não tem o significado de antes, sei que é seu desejo que impera e o impele a saciá-lo. Seus olhos me comem, imperiosos de desejo como um lince selvagem que encara a presa. Mãos firmes que me tocam, escorregam, deslizam pelos cabelos lisos descendo suavemente a percorrer os seios firmes enrijecidos ao toque, percorrendo o corpo, estremecido de desejo. Saber e sentir sua dor leva a me alimentar de seu desejo. Uma momento apenas que se prolonga no subir e descer da tentação.
Ele é o predador, eu a caça. Quer me comer e desejo ser devorada, ansiosa pela morte. E o que morre são os sentimentos num devorar atros. A consciência me atormenta e a lucidez me causa repulsa. Resta-me o desprezo a ele como a um verme imundo que me toca, lambuzado de gosma. Não se escondem o nojo e desgosto estampados em minha face. Ele o percebe, para um pouco e pergunta se deve parar. Balanço a cabeça, discordando meu corpo todo pede por ele, quer prosseguir. Não o rejeita apesar do nojo. Não é seu corpo que me repele, sua pele, seu toque, mas a dor que dele sinto. Atormenta-me e nos devora. Ele sofre e eu sofro, meu corpo não se desenlaça dele, meu pensamento não afasta de sua imagem, seu gozo e sofrimento.
E num último suspiro de dor lanço versos para o infinito.
Gritos surdos ecoam na noite. Sou eu que te clamo e não me escutas. Escuridão, silêncio. Palavras que se calam nos seus gestos que me revelam.
Olhos profundos que cintilam em minha mente. Afogando-me em seus beijos quentes. Eu a dizer : Te quero somente.
As sombras da solidão me seguem os passos. Triste mas belo sorriso que me acompanha. No embalo da paixão não há quem perde, quem ganha, estamos todos perdidos e entregues as suas artimanhas.
Vozes, palavras soltas, frases descontínuas. Sons, emissões vocais ouvidas ao longe...que irritam seus ouvidos. Vocifera pensando na fragilidade do silêncio, na incapacidade das pessoas de se calarem. Não suportando o silêncio expondo suas imperfeições, seus desgostos, sua deficiência e fragilidade humana, quebram com o desconforto tratando de banalidades. Emitidas palavras vazias de gosto, triviais. Saídas banais vestidas pela naturalidade.
Mas ele me olha de cima a baixo como se esperasse meu consentimento e meu olhar não consegue dizer não. Quero não querer seus afagos, seus beijos, seu olhar que me atravessa revelando e desvendando. Passar a não significar e sem o sentir perto, junto, dentro de mim. Suas caricias já não tem o significado de antes, sei que é seu desejo que impera e o impele a saciá-lo. Seus olhos me comem, imperiosos de desejo como um lince selvagem que encara a presa. Mãos firmes que me tocam, escorregam, deslizam pelos cabelos lisos descendo suavemente a percorrer os seios firmes enrijecidos ao toque, percorrendo o corpo, estremecido de desejo. Saber e sentir sua dor leva a me alimentar de seu desejo. Uma momento apenas que se prolonga no subir e descer da tentação.
Ele é o predador, eu a caça. Quer me comer e desejo ser devorada, ansiosa pela morte. E o que morre são os sentimentos num devorar atros. A consciência me atormenta e a lucidez me causa repulsa. Resta-me o desprezo a ele como a um verme imundo que me toca, lambuzado de gosma. Não se escondem o nojo e desgosto estampados em minha face. Ele o percebe, para um pouco e pergunta se deve parar. Balanço a cabeça, discordando meu corpo todo pede por ele, quer prosseguir. Não o rejeita apesar do nojo. Não é seu corpo que me repele, sua pele, seu toque, mas a dor que dele sinto. Atormenta-me e nos devora. Ele sofre e eu sofro, meu corpo não se desenlaça dele, meu pensamento não afasta de sua imagem, seu gozo e sofrimento.
E num último suspiro de dor lanço versos para o infinito.
Gritos surdos ecoam na noite. Sou eu que te clamo e não me escutas. Escuridão, silêncio. Palavras que se calam nos seus gestos que me revelam.
Olhos profundos que cintilam em minha mente. Afogando-me em seus beijos quentes. Eu a dizer : Te quero somente.
As sombras da solidão me seguem os passos. Triste mas belo sorriso que me acompanha. No embalo da paixão não há quem perde, quem ganha, estamos todos perdidos e entregues as suas artimanhas.
Vozes, palavras soltas, frases descontínuas. Sons, emissões vocais ouvidas ao longe...que irritam seus ouvidos. Vocifera pensando na fragilidade do silêncio, na incapacidade das pessoas de se calarem. Não suportando o silêncio expondo suas imperfeições, seus desgostos, sua deficiência e fragilidade humana, quebram com o desconforto tratando de banalidades. Emitidas palavras vazias de gosto, triviais. Saídas banais vestidas pela naturalidade.
06/05/2007
Teoria da Inutilidade
O mundo poderia parar de girar de vez em quando. Ele não para, eu não paro, nada fixa, tudo muda o tempo todo. O concreto faz barulho! O tijolo estala! A água da chuva cai na lona da construção. Se parar pra ouvir, tudo diz alguma coisa. Cada louco escuta uma fração desses inúmeros sons. Se por alguns minutos se ficar parado no meio da mata pode-se escutar tudo (os sons da natureza) e nada (ninguém) ao mesmo tempo. O tesouro precioso do silêncio. Calam-se os infames, os imbecis, os que se pensam super e os comuns, para nada mais se ouvir. Tempo de nada dizer a ninguém e dizer tudo para si. Contar seu conto, narrar a própria história. Tempo que muitos podem ver como do ócio, um tempo que parece inútil, mas que nesse tempo se contrói o castelo de dentro para fora, a pilha de tijolos que vai erguendo e dando forma as paredes do castelo interior. E depois o tempo de deixar extravasar o mundo construído para o mundo do vivido. Poucos minutos que podem se prolongar por muito, dependendo dos usos que se faça deles. Um tempo de fazer-se no tesouro do silêncio.
05/05/2007
Pablo Neruda - La canción desesperada
Emerge tu recuerdo de la noche en que estoy.
El río anuda al mar su lamento obstinado.
Abandonado como los muelles en el alba.
Es la hora de partir, ¡oh abandonado!
Sobre mi corazón llueven frías corolas.
¡Oh sentina de escombros, feroz cueva de náufragos!
En ti se acumularon las guerras y los vuelos.
De ti alzaron las alas los pájaros del canto.
Todo te lo tragaste, como la lejanía.
Como el mar, como el tiempo. Todo en ti fue naufragio!
Era la alegre hora del asalto y el beso.
La hora del estupor que ardía como un faro.
Ansiedad de piloto, furia de buzo ciego,
turbia embriaguez de amor, todo en ti fue naufragio!
En la infancia de niebla mi alma alada y herida.
Descubridor perdido, todo en ti fue naufragio!
Te ceñiste al dolor, te agarraste al deseo.
Te tumbó la tristeza, todo en ti fue naufragio!
Hice retroceder la muralla de sombra,
anduve más allá del deseo y del acto.
Oh carne, carne mía, mujer que amé y perdí,
a ti en esta hora húmeda, evoco y hago canto.
Como un vaso albergaste la infinita ternura,
y el infinito olvido te trizó como a un vaso.
Era la negra, negra soledad de las islas,
y allí, mujer de amor, me acogieron tus brazos.
Era la sed y el hambre, y tú fuiste la fruta.
Era el duelo y las ruinas, y tú fuiste el milagro.
Ah mujer, no sé cómo pudiste contenerme
en la tierra de tu alma, y en la cruz de tus brazos!
Mi deseo de ti fue el más terrible y corto,
el más revuelto y ebrio, el más tirante y ávido.
Cementerio de besos, aún hay fuego en tus tumbas,
aún los racimos arden picoteados de pájaros.
Oh la boca mordida, oh los besados miembros,
oh los hambrientos dientes, oh los cuerpos trenzados.
Oh la cópula loca de esperanza y esfuerzo
en que nos anudamos y nos desesperamos.
Y la ternura, leve como el agua y la harina.
Y la palabra apenas comenzada en los labios.
Ese fue mi destino y en él viajó mi anhelo,
y en él cayó mi anhelo, todo en ti fue naufragio!
¡Oh, sentina de escombros, en ti todo caía,
qué dolor no exprimiste, qué olas no te ahogaron!
De tumbo en tumbo aún llameaste y cantaste.
De pie como un marino en la proa de un barco.
Aún floreciste en cantos, aún rompiste en corrientes.
¡Oh sentina de escombros, pozo abierto y amargo.
Pálido buzo ciego, desventurado hondero,
descubridor perdido, todo en ti fue naufragio!
Es la hora de partir, la dura y fría hora
que la noche sujeta a todo horario.
El cinturón ruidoso del mar ciñe la costa.
Surgen frías estrellas, emigran negros pájaros.
Abandonado como los muelles en el alba.
Sólo la sombra trémula se retuerce en mis manos.
Ah más allá de todo. Ah más allá de todo.
Es la hora de partir. ¡Oh abandonado!
El río anuda al mar su lamento obstinado.
Abandonado como los muelles en el alba.
Es la hora de partir, ¡oh abandonado!
Sobre mi corazón llueven frías corolas.
¡Oh sentina de escombros, feroz cueva de náufragos!
En ti se acumularon las guerras y los vuelos.
De ti alzaron las alas los pájaros del canto.
Todo te lo tragaste, como la lejanía.
Como el mar, como el tiempo. Todo en ti fue naufragio!
Era la alegre hora del asalto y el beso.
La hora del estupor que ardía como un faro.
Ansiedad de piloto, furia de buzo ciego,
turbia embriaguez de amor, todo en ti fue naufragio!
En la infancia de niebla mi alma alada y herida.
Descubridor perdido, todo en ti fue naufragio!
Te ceñiste al dolor, te agarraste al deseo.
Te tumbó la tristeza, todo en ti fue naufragio!
Hice retroceder la muralla de sombra,
anduve más allá del deseo y del acto.
Oh carne, carne mía, mujer que amé y perdí,
a ti en esta hora húmeda, evoco y hago canto.
Como un vaso albergaste la infinita ternura,
y el infinito olvido te trizó como a un vaso.
Era la negra, negra soledad de las islas,
y allí, mujer de amor, me acogieron tus brazos.
Era la sed y el hambre, y tú fuiste la fruta.
Era el duelo y las ruinas, y tú fuiste el milagro.
Ah mujer, no sé cómo pudiste contenerme
en la tierra de tu alma, y en la cruz de tus brazos!
Mi deseo de ti fue el más terrible y corto,
el más revuelto y ebrio, el más tirante y ávido.
Cementerio de besos, aún hay fuego en tus tumbas,
aún los racimos arden picoteados de pájaros.
Oh la boca mordida, oh los besados miembros,
oh los hambrientos dientes, oh los cuerpos trenzados.
Oh la cópula loca de esperanza y esfuerzo
en que nos anudamos y nos desesperamos.
Y la ternura, leve como el agua y la harina.
Y la palabra apenas comenzada en los labios.
Ese fue mi destino y en él viajó mi anhelo,
y en él cayó mi anhelo, todo en ti fue naufragio!
¡Oh, sentina de escombros, en ti todo caía,
qué dolor no exprimiste, qué olas no te ahogaron!
De tumbo en tumbo aún llameaste y cantaste.
De pie como un marino en la proa de un barco.
Aún floreciste en cantos, aún rompiste en corrientes.
¡Oh sentina de escombros, pozo abierto y amargo.
Pálido buzo ciego, desventurado hondero,
descubridor perdido, todo en ti fue naufragio!
Es la hora de partir, la dura y fría hora
que la noche sujeta a todo horario.
El cinturón ruidoso del mar ciñe la costa.
Surgen frías estrellas, emigran negros pájaros.
Abandonado como los muelles en el alba.
Sólo la sombra trémula se retuerce en mis manos.
Ah más allá de todo. Ah más allá de todo.
Es la hora de partir. ¡Oh abandonado!
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