05/05/2007

Pablo Neruda - La canción desesperada

Emerge tu recuerdo de la noche en que estoy.

El río anuda al mar su lamento obstinado.

Abandonado como los muelles en el alba.

Es la hora de partir, ¡oh abandonado!

Sobre mi corazón llueven frías corolas.

¡Oh sentina de escombros, feroz cueva de náufragos!

En ti se acumularon las guerras y los vuelos.

De ti alzaron las alas los pájaros del canto.

Todo te lo tragaste, como la lejanía.

Como el mar, como el tiempo. Todo en ti fue naufragio!

Era la alegre hora del asalto y el beso.

La hora del estupor que ardía como un faro.

Ansiedad de piloto, furia de buzo ciego,

turbia embriaguez de amor, todo en ti fue naufragio!

En la infancia de niebla mi alma alada y herida.

Descubridor perdido, todo en ti fue naufragio!

Te ceñiste al dolor, te agarraste al deseo.

Te tumbó la tristeza, todo en ti fue naufragio!

Hice retroceder la muralla de sombra,

anduve más allá del deseo y del acto.

Oh carne, carne mía, mujer que amé y perdí,

a ti en esta hora húmeda, evoco y hago canto.

Como un vaso albergaste la infinita ternura,

y el infinito olvido te trizó como a un vaso.

Era la negra, negra soledad de las islas,

y allí, mujer de amor, me acogieron tus brazos.

Era la sed y el hambre, y tú fuiste la fruta.

Era el duelo y las ruinas, y tú fuiste el milagro.

Ah mujer, no sé cómo pudiste contenerme

en la tierra de tu alma, y en la cruz de tus brazos!

Mi deseo de ti fue el más terrible y corto,

el más revuelto y ebrio, el más tirante y ávido.

Cementerio de besos, aún hay fuego en tus tumbas,

aún los racimos arden picoteados de pájaros.

Oh la boca mordida, oh los besados miembros,

oh los hambrientos dientes, oh los cuerpos trenzados.

Oh la cópula loca de esperanza y esfuerzo

en que nos anudamos y nos desesperamos.

Y la ternura, leve como el agua y la harina.

Y la palabra apenas comenzada en los labios.

Ese fue mi destino y en él viajó mi anhelo,

y en él cayó mi anhelo, todo en ti fue naufragio!

¡Oh, sentina de escombros, en ti todo caía,

qué dolor no exprimiste, qué olas no te ahogaron!

De tumbo en tumbo aún llameaste y cantaste.

De pie como un marino en la proa de un barco.

Aún floreciste en cantos, aún rompiste en corrientes.

¡Oh sentina de escombros, pozo abierto y amargo.

Pálido buzo ciego, desventurado hondero,

descubridor perdido, todo en ti fue naufragio!

Es la hora de partir, la dura y fría hora

que la noche sujeta a todo horario.

El cinturón ruidoso del mar ciñe la costa.

Surgen frías estrellas, emigran negros pájaros.

Abandonado como los muelles en el alba.

Sólo la sombra trémula se retuerce en mis manos.

Ah más allá de todo. Ah más allá de todo.

Es la hora de partir. ¡Oh abandonado!

01/05/2007

O vôo da memória...

Tomar uma distância das coisas, pode nos fazer vê-las sob novas pespectivas. Isso pode não parecer novidade, mas muitas vezes surpreende, nos tolos mortais. Tenho pensado muito nisso e passo a acreditar muito na força que esse olhar distante pode ter; ás vezes, uma simples caminhada de alguns passos longe do objeto do trabalho pode fazer saltar idéias, ou mesmo, respostas óbvias por um instante esquecidas. A memória é falha, seletiva e ela é nossa caixinha de surpresas, que carrega muitas emoções, sentimentos, associações, imagens e histórias dentro, tanto individuais quanto coletivas. Um exemplo, dessas peças que a memória pode nos pregar, me aconteceu a menos de uma semana. Entreguei um trabalho, por ter mesmo que entregar, questão de dead line, prazo mesmo, e só depois fui perceber quantas coisas poderia acrescentar, algo que só me veio depois de o prazo de entrega concluído. E isso acontece sempre e haveria mesmo de aocntecer. Já imaginou o que seria de nós se lembrassemos de tudo o tempo todo? Acabaríamos vivendo e revivendo tudo o tempo todo e isso poderia ser uma mostra do inferno, pois reviver todas as sensações, ter todos os pensamentos que apetecem o tempo todo seria algo insuportável a nível do humano, para ser assim, só mesmo se fossemos máquinas que trabalhassem initerruptamente, mas aí, é certo que perderíamos nossas particularidades. A memória estaria caindo no abismo que ela mesma gerou, as histórias que cada um vive e conta a si mesmo, construído sua narrativa, seu conto pessoal, seriam, talvez, estranhamente similares. Estaría a memória perdida hoje em meio a tanta propagações de coisas. Como fazer um resgate dessa memória, estaria ela mesmo perdida?

AP modo zombie


Abhorrent Pain-Consumed Orphan-Nabbing, Drifter-Eating Slayer from the Sunless Abbey


Get Your Monster Name

28/04/2007

A fala do silêncio e o nada

Caminhávamos em silêncio, apreciávamos o silencio, era como se ele falasse por nós, não precisávamos dizer nada só contemplá-lo. Depois de algum tempo, notei uma certa inquietação da parte dela, parecia que aquela quietude a incomodava.

E eis que passamos a atirar palavras sem propósito, sem ela dizer o que realemnte a aflingia:

A.P
- O mundo anda muito maluco. Todo dia manchetes de jornal dizendo que fulano de tal matou ciclano sem motivo. De onde vem isso?

Crazychat
- Acho que, talvez, por não expressarmos nossos sentimentos. Escondemos nossa raiva, ódio e rancor e isso vai se acumulando dentro da gente, até que um dia você não se agüenta mais e estoura os miolos de alguém, acaba explodindo com qualquer um.

A.P
- Eu não acho que seja assim, nem todo mundo reage da mesma maneira não. Um sujeito pode se irritar muito com o outro e não dizer palavra. E outro pode simplesmente apontar uma arma para a cabeça do desaforado e sair atirando.

Crazychat
- Não faz diferença, quando alguém te ofende ou rejeita como você reage ? Você pode não dizer merda nenhuma, mas por dentro está se remoendo de ódio, pensa em fazer um monte de coisa que você não pode fazer.


A.P
- É assim com muita gente, mas nem todo mundo saí por aí atirando em tudo que vê pela frente. Se todo mundo o fizesse seria o fim da raça humana.


Crazychat
- O que eu estou dizendo é que tem de haver um jeito para aliviar a pressão, para descarregar a raiva, a opressão, as frustrações em alguma coisa.


A.P
- Nada há mais capaz de aplacar isso, entramos em um buraco sem fundo, para isso não há um refugio.